Todos têm o direito de achar o título da coluna exagerado, mas é impossível não se empolgar com a brasileira Naná Silva, que com apenas 15 anos apresenta resultados expressivos contra tenistas profissionais e bem mais velhas do que ela. E o mais impressionante: jogando um tênis de gente grande, com muita potência nos golpes e personalidade dentro de quadra.
Poucos dias após representar o Brasil na Billie Jean King Cup Sub-16, disputada no Chile, a paulistana Naná embarcou para a Austrália para disputar a competição profissional e foi escalada pelo capitão Luiz Peniza para abrir os confrontos contra Portugal e Austrália. Em sua estreia no principal torneio de seleções, a jovem venceu em sets diretos a portuguesa Matilde Jorge, 21 anos, e atual 255ª colocada do ranking da WTA. Foi uma atuação muito boa da brasileira, que conseguiu se dar bem mesmo nos momentos mais desfavoráveis da partida.
Menos de 24 horas após comemorar a vitória, Naná voltou à quadra neste sábado para encarar a anfitriã Kimberly Birrell, 95ª colocada na WTA. O primeiro set foi equilibrado, mas com a tenista de 27 anos sendo mais precisa nos momentos decisivos para obter uma quebra e abrir vantagem.
Na segunda parcial, Naná apostou em seu forte saque e em longas trocas de bola para superar a Top-100 em 6/3 e forçar o set de desempate.
Pena que a paulistana sentiu o desgaste físico e emocional na parcial decisiva, embora tenha feito algumas grandes jogadas, e foi derrotada com 6/1 após duas quebras. Contudo, não faltou luta. A pouca experiência em jogos seguidos no circuito profissional acabou pesando. Algo normal. Serve de aprendizado para as próximas edições da Billie Jean King Cup.
Há pouco mais de dois meses, Naná surpreendia o mundo do tênis ao vencer de virada (e com direito a pneu) a compatriota Carol Meligeni na estreia do WTA 250 de São Paulo. Em outubro, veio o primeiro título profissional de simples – o ITF W15 de São João da Boa Vista-SP.
A carreira da talentosa tenista, atual 672ª colocada no ranking da WTA, está apenas no começo. Importante dizer que ela ainda tem muito a evoluir. Mas não me lembro de ter visto uma tenista tão jovem com tanto potencial como Naná. É assustador o que ela anda fazendo com apenas 15 anos. É totalmente fora do normal. Imagine quando atingir a maioridade. Muito provavelmente, já consolidada no circuito profissional, vai causar muitos estragos nas adversárias.
O tênis brasileiro estará muito bem representado nos próximos anos. Além de Naná, cito outra jovem talentosa, a potiguar Victoria Barros, também com 15 anos, que neste domingo vai disputar a primeira final de simples de um torneio profissional, o ITF W15 de Antália, na Turquia. Em breve, ela será tema da coluna.
Crédito da foto: Divulgação/Facebook CBT









