O momento do tênis brasileiro e a luta por pontos na América do Sul

Enquanto boa parte do Top 100 está na Ásia para o Masters 1000 de Xangai, os torneios na América do Sul estão a todo o vapor com domínio dos tenistas brasileiros. Na semana passada, quatro brasileiros chegaram às quartas de final em Curitiba e, nesta semana, o número aumentou pelo menos para cinco (ainda podem ser seis).

Mas o que isso significa? Esses torneios na América do Sul são importantes para os tenistas brasileiros que ainda sonham com uma vaga direta no Australian Open de 2027 ou, pelo menos, no quali. Gustavo Heide e Thiago Wild ainda podem terminar o ano no Top 100 e jogar a chave principal da Austrália. Já João Lucas Reis, Matheus Pucinelli e Pedro Boscardin ainda sonham com o quali do primeiro Slam do ano.


Com exceção de Heide e Wild, que conquistaram títulos na Europa neste ano, nenhum outro brasileiro conseguiu um grande resultado nas longas giras pelos torneios europeus. Mas na América do Sul, com a briga mais nivelada, principalmente com os argentinos, que também têm objetivos semelhantes no ranking, os brasileiros estão se destacando.

Heide, que há um ano retornava às quadras após meses afastado por lesão, já somou pontos importantes com o vice em Curitiba e vai jogar todos os torneios nas próximas semanas com o claro objetivo de chegar ao Top 100 pela primeira vez. Os resultados mostram que caminha a passos largos para atingir o objetivo.


Wild largou atrás após não jogar em Curitiba por uma lesão na perna direita, mas se recuperou rapidamente e ganhou sem problemas os dois jogos em Antofagasta. Ele se coloca muito forte na briga para voltar ao grupo dos 100 melhores do ranking, posição que condiz com seu nível.

João Lucas e Pucinelli estão em situações parecidas e vão se enfrentar pela segunda semana consecutiva. Reis tinha a expectativa de se firmar no Top 100, mas não teve uma boa sequência de resultados. Pucinelli sofreu com problema na tíbia que o afastou das quadras por dois meses. Os dois, junto com Pedro Boscardin, buscam pontos para garantir um lugar no quali na Austrália.


Também tem o caso de Felipe Meligeni, que entra nos torneios com o ranking protegido e tenta se recuperar após duas lesões seguidas. Meligeni teve um caminho difícil em Curitiba e caiu para Heide nas oitavas. No Chile, ganhou na estreia de Juan Pablo Varillas, que era o cabeça de chave 6, e já está nas quartas.

Guto Miguel não joga nesta semana em Antofagasta, mas aproveita a gira pela América do Sul para iniciar a nova fase da carreira com foco totalmente no profissional. A expectativa dos fãs brasileiros já é muito grande para que ele esteja na briga com os melhores, mas ainda é preciso ter calma.


Independentemente de quem atingir o objetivo, os tenistas brasileiros estão se destacando nos torneios no saibro, mas o circuito na elite caminha cada vez mais para a quadra dura. E quando muda de piso, apenas João Fonseca tem conseguido bons resultados.

Mas isso é tema para outra coluna. Agora é aproveitar o bom momento dos brasileiros na América do Sul e esperar que o maior número possível de tenistas garanta uma vaga na Austrália.

Crédito fotos: João Pires/Fotojump

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