Após o fim antecipado da última temporada para descansar o corpo e a mente, Bia Haddad voltou às quadras em janeiro com a expectativa em deixar os problemas no passado e emplacar boas atuações e vitórias.
O recorte é ainda pequeno, já que a brasileira soma apenas dois jogos na temporada 2026. Foram duas derrotas até o momento. A estreia ocorreu no WTA 500 de Adelaide. Bia até que começou bem, mas sofreu a virada para a cabeça de chave 8, a canadense Victoria Mboko. Nos sets da derrota, a paulistana oscilou demais, sofreu com seu saque e foi quebrada diversas vezes.
Uma semana após a queda em Adelaide, Bia Haddad voltou à quadra na tarde do último domingo (18). O sorteio do Australian Open até que foi mais generoso e a colocou na estreia frente à frente contra a cazaque Yulia Putintseva, apenas a 105ª colocada do ranking da WTA. Até então, a tenista brasileira tinha 100% de aproveitamento contra a adversária em dois confrontos.
Assim como na estreia em Adelaide, Bia até que começou bem, sendo agressiva e impondo muitas dificuldades para a cazaque. Apesar de algumas oscilações, a brasileira fechou a primeira parcial em 6/3 para delírio da torcida brasileira que lotou a quadra 6.
O segundo set foi bastante arrastado, com Bia sendo quebrada logo no segundo game e logo em seguida devolvendo a quebra. A cazaque era mais consistente e conseguia se defender muito bem do bombardeio da brasileira, que perdeu rendimento na parte final. Seu saque já não funcionava mais. Foram quatro duplas-faltas e uma quebra de serviço decisiva no 7/5 para que Putintseva forçasse o set de desempate.
Bia deu a impressão que venceria o set decisivo, já que obteve quebra no terceiro game e abriu 3/1, assim controlando parcialmente a partida. No entanto, a cazaque não se abateu e aproveitou o fraco poderio do saque e muitos erros não-forçados da brasileira para vencer cinco games seguidos e fechar a partida após 2h53.
Balanço da derrota de Bia Haddad no Australian Open e o que projetar daqui para a frente
Foi uma derrota muito dolorida. Era uma partida ganhável para Bia Haddad, que não jogou mal, mas mais uma vez vacilou nos momentos decisivos. A ansiedade, que foi um dos principais problemas em 2025, continua a atrapalhando. Não é nenhum segredo que no tênis, muitas vezes, o mental é mais importante que a técnica.
O estafe de Bia vai ter trabalho. Talvez, o melhor para a tenista número 1 do Brasil seria neste início de temporada apostar em torneios menores para ganhar mais confiança.
Até o fim de fevereiro, a brasileira vai disputar o WTA 500 de Abu Dhabi, o WTA 1000 de Doha, o WTA 1000 de Dubai e o WTA 500 de Mérida, todos torneios de grande porte. Há riscos enormes de novos revezes que poderiam comprometer o restante da temporada e a derrubar ainda mais no ranking. No live da WTA, a brasileira ocupa a 61ª colocação e pode perder mais posições até a próxima atualização.
Creio que será muito difícil Bia Haddad voltar a competir em alto nível e reaparecer no Top-50. É torcer para que ela vire a chave o mais rápido possível e some as primeiras vitórias em fevereiro.
Crédito da foto: Divulgação/Jimmie48 Photography/WTA









