Craig Tiley assume a USTA e pode redefinir o rumo do tênis mundial

A nomeação de Craig Tiley como novo CEO da United States Tennis Association representa uma das movimentações institucionais mais relevantes do tênis na última década. Após anos à frente da Tennis Australia e da direção do Australian Open, o dirigente sul-africano assume agora o comando da entidade que administra o maior mercado consumidor do esporte e o Grand Slam de maior peso comercial do circuito, o US Open. Não se trata apenas de uma troca de executivos, mas de uma decisão estratégica com potencial de impacto estrutural no ecossistema global do tênis.

Tiley construiu sua reputação a partir de resultados concretos. Sob sua liderança, o Australian Open tornou-se referência mundial em inovação, experiência para fãs e geração de receita, quebrando recordes sucessivos de público e faturamento. Paralelamente, o tênis australiano viveu um ciclo consistente de crescimento na base: aumento de participação, expansão das reservas digitais de quadras, fortalecimento da formação de treinadores e avanço significativo na presença feminina no coaching. O mérito de sua gestão não se limitou ao espetáculo do Grand Slam, mas alcançou a sustentação do esporte em nível estrutural.

A USTA, por sua vez, atravessa um momento igualmente estratégico. Com 27,3 milhões de praticantes e seis anos consecutivos de crescimento, o tênis nos Estados Unidos vive uma fase de expansão que poucas modalidades esportivas registraram no período pós-pandemia. A meta declarada de atingir 35 milhões de jogadores até 2035 exige, entretanto, mais do que manutenção de tendência: requer visão sistêmica, integração entre alto rendimento e base e capacidade de transformar o US Open em uma plataforma permanente de engajamento global — e não apenas um evento anual de duas semanas.

O diferencial de Tiley está justamente na compreensão do esporte como ecossistema. Sua trajetória combina formação universitária nos Estados Unidos — onde foi campeão da NCAA como técnico da Universidade de Illinois — com liderança executiva em um dos mercados mais sofisticados do calendário internacional. Ele entende tanto a lógica do desenvolvimento grassroots quanto as dinâmicas comerciais que sustentam um megaevento esportivo. Esse equilíbrio é raro e pode ser determinante para o próximo ciclo do tênis americano.

Se a experiência australiana servir como parâmetro, a chegada de Craig Tiley à USTA pode inaugurar uma fase de reposicionamento estratégico do tênis nos Estados Unidos, com reflexos no calendário, na governança e na narrativa global do esporte. Em um cenário cada vez mais competitivo por atenção, audiência e investimento, lideranças capazes de conectar inovação, participação e espetáculo tendem a definir os próximos capítulos do circuito. E é justamente nesse ponto que essa nomeação deixa de ser administrativa para se tornar potencialmente transformadora.

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