Decepcionante. Essa é a palavra para definir a eliminação de João Fonseca na segunda rodada do Rio Open. Apesar da exibição em alto nível no primeiro set, com saque e forehand afiados, o brasileiro apagou nos sets posteriores e sofreu a virada para o ótimo jovem tenista peruano Ignacio Buse, 91º colocado do ranking da ATP. As parciais foram de 5/7, 6/3 e 6/4.
Fonseca, que se tornou o principal favorito ao título do Rio Open após as quedas do argentino Francisco Cerúndolo (cabeça 1, por desistência durante jogo na segunda rodada) e do italiano Luciano Darderi (cabeça 2, por derrota na segunda rodada), não conseguiu igualar a sua melhor campanha no ATP 500 do Rio de Janeiro, pertencente à edição 2024, quando atingiu as quartas de final.
O fato é que o melhor tenista em atividade no Brasil ainda tem dificuldades em lidar com a pressão do favoritismo. Foi assim no ATP 250 de Buenos Aires há pouco mais de uma semana quando não conseguiu defender o título conquistado em 2025 e caiu logo na primeira rodada para o chileno Alejandro Tabillo. João performa melhor quando é coadjuvante.
Na temporada passada, dois dias após o título em Buenos Aires, Fonseca já havia decepcionado em casa com derrota na estreia para o francês Alexander Muller.
Diante de Buse esperava-se um jogo muito complicado. O peruano é um tenista muito sólido, com forte direita e ótimos contragolpes. O brasileiro teve dificuldades nos dois primeiros games de saque e chegou a salvar três break-points. Aos poucos encontrou o seu melhor tênis, apostando na direita afiada e em saques certeiros, até quebrar o saque peruano no 11º game e em seguida confirmar o serviço, confirmando a parcial de 7/5.
O segundo set deu a impressão que João controlaria o rival para confirmar a vitória em sets diretos. Ledo engano. O carioca teve três break-points a favor logo no primeiro game, porém, pecou pelo preciosismo, cometeu erros não-forçados e viu o peruano sair do buraco para abrir 1-0.
Após as chances desperdiçadas, João Fonseca apagou. O emocional o prejudicou demais. Buse quebrou o saque e sustentou a vantagem até o fim, empatando o duelo com a parcial de 6/3. A torcida presente na Quadra Gustavo Kuerten murchou.
Apático, Fonseca seguiu com dificuldades no set decisivo e foi quebrado sem conquistar um ponto sequer no terceiro game. Foram muitos erros não-forçados do brasileiro, até com o forehand. O público voltou a se animar no oitavo game, quando o anfitrião teve três chances de devolver a quebra, mas novamente não soube aproveitar, também por méritos de Buse, que encaixou ótimos saques. O peruano voltou a ter o controle da partida e sacou para confirmar a vitória em 6/4.
Novamente fica a lição para João Fonseca. É preciso que o estafe trabalhe melhor a questão emocional do jovem de 19 anos. Não dá para achar que tudo está normal. Se o psicológico não fortalecer, infelizmente o brasileiro não alçará voos muito altos no circuito profissional. Seria uma pena, pois temos um tenista muito técnico, o melhor pós-Gustavo Kuerten.
Por outro lado, é preciso rechaçar comparações com Bia Haddad como alguns torcedores têm feito em redes sociais. A brasileira vive péssima fase, mas tem 10 anos a mais que João, que está apenas no início de carreira.
Próximo desafio de João Fonseca
João Fonseca segue no Rio Open. Ao lado do compatriota Marcelo Melo, ele tentará nesta sexta-feira a inédita vaga na final de duplas do ATP contra a parceria alemã formada por Mark Wallner e Jakob Schnaitter.
Em simples, o próximo desafio está marcado para a semana do dia 5 de março, no Masters 1000 de Indian Wells (quadra dura). Na temporada passada, ele parou na segunda rodada quando foi eliminado pelo britânico Jack Draper, com derrota em sets diretos, com as parciais de 6/4 e 6/0.
Divulgação: ©FOTOJUMP









