Após surpreender com bons resultados e atuações na grama, sobretudo em Wimbledon, quando atingiu à terceira rodada e fez jogo parelho na derrota para o experiente chileno Nicolas Jarry, João Fonseca descansou cerca de três semanas e passou a se preparar para a gira de quadra rápida, com foco para o US Open, último Grand Slam da temporada.
O estafe de João optou pelos Masters 1000 de Toronto e Cincinnati e deixou de fora do calendário ATP’s 250 e 500, decisão errada. Sem ritmo, João foi dominado pelo australiano Tristan Schoolkate, até então 103º colocado do ranking da ATP, sendo eliminado logo na estreia do torneio canadense. 10 dias depois, o brasileiro entrou em quadra disposto a apagar a má impressão deixada no Canadá e entrou em ação pelo Masters de Cincinatti.
O número 1 do Brasil sofreu logo na estreia diante do chinês Bu Yunchaoekete, mas mesmo com altos e baixos obteve uma vitória de virada, assim avançando à segunda rodada para enfrentar o favorito espanhol Alejandro Fokina. O primeiro set foi equilibrado, porém, o rival foi mais eficiente e levou a melhor no tie-break. João sentiu o golpe, teve dois serviços quebrados no início do segundo set e saiu em desvantagem por 4 a 0. Tudo conspirava para uma vitória tranquila do cabeça de chave 17. No entanto, Fonseca reagiu, buscou a virada para 5 a 4 e quando iria sacar para empatar a partida viu o oponente desistir por problemas físicos.
Na terceira rodada, o adversário do carioca foi o francês Térence Altmane, 136º do mundo, que surpreendeu ao eliminar os favoritos Yoshihito Nishioka e Flavio Cobolli. Fonseca foi presa fácil, sofreu com os potentes forehand e saques do canhoto e caiu em sets diretos, com as parciais de 6/3 e 6/4.
Embora o rival tenha tido uma atuação avassaladora, Fonseca poderia ter performado melhor. Teve dificuldades quanto ao saque e pouco explorou o backhand, ponto fraco de Térence. Houve ainda muitos erros não-forçados, tônica durante toda a campanha nos Estados Unidos. Ele não foi bem nem tecnicamente e taticamente, muito longe daquele tenista que encantou o mundo, sobretudo no início do ano.
O brasileiro igualou a melhor campanha da carreira em Masters. Em Miami, em março, havia chegado à terceira rodada. No entanto, o seu tênis regrediu entre o final de julho e primeira quinzena de agosto. Em Cincinatti, o tenista não conseguiu ter bom desempenho nem nas vitórias. Ele tem grande potencial para incomodar mais os adversários. Mas volto a frisar aqui. O garoto ainda tem 18 anos e está em sua primeira temporada completa como profissional. Vai ainda oscilar nas próximas semanas, algo natural, já que está se desenvolvendo.
Muitos torcedores rechaçam o argumento da juventude de Fonseca e usam como exemplo a canadense Victoria Mboko, que com a mesma idade de João assombrou o mundo no início de agosto a derrubar gigantes e ficar com o título do Masters de Montreal. Vejo esse caso como exceção. A grande parte dos tenistas que atinge a maioridade, até mesmo os mais talentosos, vão ter altos e baixos nos primeiros meses de carreira profissional. Foi assim com Jannick Sinner e Carlos Alcaraz, hoje, respectivamente, líder e vice-líder do ranking mundial.
Próximo desafio de João Fonseca
Volto a repetir. O desempenho de João em 2025 é ainda altamente positivo. É sensacional pensar que muito provavelmente ele terminará o ano entre os 60 melhores tenistas. Na próxima atualização do ranking, ele vai aparecer no Top-50, na sua melhor posição.
Fonseca irá para a Nova Iorque para disputar a sua primeira chave principal do US Open com início no próximo dia 24. Está muito longe de ser favorito. Uma possível queda precoce ainda deve ser naturalizada. É uma temporada de aprendizados. É torcer para nosso melhor tenista assimilar rapidamente os erros, ser agressivo e saber explorar os pontos fracos dos rivais.
Crédito da foto: Reprodução/Instagram João Fonseca









