Pelo terceiro ano consecutivo, o tênis brasileiro dominou o Roland-Garros Junior Series by Renault. Na edição de 2026 encerrada na noite deste domingo (19), a paranaense Duda Gomes, de apenas 13 anos, e o mato-grossense Leonardo Storck, de 17, se sagraram campeões do torneio realizado na Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo, e garantiram vaga direta na chave principal do Grand Slam juvenil, em Paris.
Talvez, o Brasil viva o seu melhor momento geracional no tênis, com jovens atletas brilhando em torneios juvenis e alguns já roubando a cena em competições profissionais. Fica praticamente impossível não ser otimista quanto ao futuro, embora saiba que a transição é muito difícil e nem todas as jovens promessas confirmam o potencial lá na frente.
Os nomes com maiores capacidades em trilhar com grande sucesso entre os profissionais são Naná Silva, Victoria Barros e Guto Miguel. O trio tem participado com frequência de torneios organizados pela ATP e WTA e está em estágio mais avançado para deixarem de vez as competições juvenis.
Estive no Harmonia acompanhando o Roland-Garros Series e fiquei impressionado com o que vi em relação a Duda Gomes. Convidada da organização, a menina de 13 anos jogou um tênis de gente grande e colocou o seu nome na história ao se tornar a tenista mais jovem a conquistar o título do torneio.
Duda tem uma esquerda muito forte e que muito provavelmente vai provocar estragos no tênis profissional. Durante a campanha vitoriosa, ela mostrou muita inteligência tática para vencer tenistas muito mais cascudas que ela, incluindo a cabeça de chave 1 Nathalia Tourinho nas semifinais.
Impressionou também a força psicológica. A menina recém-saída da infância mostrou resiliência nos momentos mais críticos das partidas ao longo do torneio. Na decisão contra Maria Eduarda Carbone, de 16 anos, a paranaense teve altos e baixos, mas ainda assim venceu em sets diretos, com as parciais de 7/6 (7-5) e 6/3.
Há ainda muita coisa para ser trabalhada na atleta, entre elas o saque. Duda comete muitas duplas faltas e isso deve ser corrigido pela sua equipe técnica antes da profissionalização.
Em sua terceira e última participação no Series, Storck, enfim, conseguiu o título após eliminações duras na fase de grupos em 2024 e 2025. Mais maduro e mais forte fisicamente, tecnicamente e mentalmente, o mato-grossense mostrou que tem boas condições de obter sucesso nos profissionais.
O destro Storck tem uma característica rara nos tempos atuais: bater o backhand com apenas uma mão e com muita qualidade.
Na grande decisão contra o cabeça de chave 1, o colombiano Juan Miguel Bolivar, Storck não começou bem, foi quebrado duas vezes, viu o rival não abrir as portas para a sua reação e perdeu o primeiro set por 6/2. Mais intenso, o brasileiro conquistou uma quebra logo no primeiro game do segundo set, chamou a torcida que lotou as arquibancadas do Harmonia e vibrou bastante. Confiante, o jovem tenista obteve mais uma quebra e empatou a partida, devolvendo o 6/2.
Storck manteve o embalo e quebrou o serviço do colombiano logo no início do set decisivo. Manteve a vantagem e com muita solidez em golpes com a direita e esquerda virou a partida, aplicando 6/4.
Vamos acompanhar os próximos passos da dupla campeã no Roland-Garros Series e torcer para que tenha uma grande campanha no Grand Slam Junior em junho.
É possível sonhar alto que num médio prazo o tênis brasileiro tenha muitos atletas sendo protagonistas no circuito mundial profissional.
Crédito foto: Marcello Zambrana/FFT









