João Fonseca deixa Indian Wells ainda mais gigante e mostra que pode bater de frente com a elite

João Fonseca joga bem, mas perde de Sinner em Indian Wells

João Fonseca deixou as oitavas de final do Masters 1000 de Indian Wells ainda maior do que é mesmo com derrota em sets diretos para o italiano Jannik Sinner em dois tie-breaks muito disputados. O brasileiro teve uma atuação para encher de orgulho todos nós. Encarou de igual para igual o segundo melhor jogador do mundo, foi corajoso e mostrou que pode sim bater de frente com o Top-10 do tênis mundial.

Dá para colocar tranquilamente esta derrota na lista dos cinco maiores jogos da curta carreira de João. Em nenhum momento, ele se intimidou com o arsenal de golpes do oponente e colocou em quadra o que tem de melhor.

Foi possível ver um João solto desde o primeiro game. Abriu o jogo sacando sem perder um ponto sequer. E tendo aproveitamento de 100% no primeiro serviço. Falando especificamente do saque, o carioca teve mais variações, o que complicou demais as devoluções de Sinner, um dos seus pontos fortes. Aquele João, que em muitos momentos da última temporada dava muita pancada e não variava tanto os golpes, ficou no passado. Hoje, é um jogador mais completo e perigoso para os adversários.

João Fonseca teve a primeira oportunidade de quebrar o serviço de Sinner logo no segundo game da partida, mas o italiano conseguiu salvar. Sinner sofreu um pouco no início para colocar o primeiro saque em quadra, mas aos poucos foi melhorando o aproveitamento e passou a incomodar mais o brasileiro. Ligeiramente melhor na reta final do primeiro set, o europeu viu João salvar beak-points no sétimo e nono game.

O duelo persistiu equilibrado e foi decidido no tie-break. Fonseca chegou a ter três sets points no 6-3 e desperdiçou a chance de fechar a primeira parcial quando errou um forehand no 6-4. O italiano mostrou força nos saques e tratou de sair em vantagem: 8-6.

João não se abateu com a amarga derrota no tie-break e seguiu focado no início do segundo set, confirmando seu saque, até ser quebrado no sexto game. Em seguida, Sinner sacou para fazer 5 a 2. Tudo conspirava para o número 2 do mundo manter a vantagem e confirmar a vitória. Ele só não contava que o brasileiro fosse novamente elevar o nível para devolver a quebra no oitavo game e vencer 12 dos 15 pontos disputados para igualar o placar em 5 a 5, abusando dos potentes golpes com a direita e executando slices precisos.

A partida se encerrou sendo decidida em novo tie-break. Acabou prevalecendo novamente a experiência de Sinner, que com maior precisão nos momentos decisivos aplicou 7-4, assim garantindo a vitória.

Mas é preciso novamente aplaudir a atuação de João Fonseca contra um dos maiores tenistas de todos os tempos. Foi superior ao italiano em algumas estatísticas do jogo: aproveitamento do primeiro saque (70% contra 59%), aproveitamento dos pontos vencidos com o segundo serviço (58% contra 52%), break-points salvos (75% contra 50%) e pontos vencidos com a devolução no segundo saque (48% contra 42%). Um outro dado chama a atenção: o tenista brasileiro atingiu a maior performance rating numa derrota de set na história (9,42 registrados na segunda parcial). E Fonseca atingiu esses números aos 19 anos e logo no primeiro encontro contra o multicampeão. O auge do brasileiro ainda está longe. Fico imaginando quando superar a marca dos 20…

Próximo desafio de João Fonseca

De cabeça erguida após a grande campanha em Indian Wells, João Fonseca segue nos Estados Unidos para a disputa do Masters 1000 de Miami com início a partir do próximo dia 18.

O adversário do brasileiro, 39º colocado no ranking live da ATP, será conhecido após sorteio no início da próxima semana. É possível acreditar em uma nova grande campanha. Em 2025, João parou na terceira rodada após derrota para o australiano Alex de Minaur por 2 sets a 1 (7/5, 5/7 e 3/6). Anteriormente, ele havia vencido o norte-americano Learner Tien e o francês Ugo Humbert.

Fonseca se mostrou um tenista ainda mais cascudo. Certamente, os rivais dele ficaram ainda mais preocupados com a sua evolução durante a campanha no primeiro Masters da temporada.

Crédito da foto: Divulgação/ BNP Paribas Open

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