João Fonseca sofre pressão injusta de mídia e torcida; é normal a oscilação para quem está no início de carreira

João Fonseca atravessa momento complicado na temporada

Assim como no início de temporada, João Fonseca passa por momento irregular. Nas últimas três vezes que entrou em quadra, o brasileiro foi sempre derrotado em batalhas de três sets. O revés mais recente ocorreu no último sábado logo na estreia do Masters 1000 de Roma. O atual número 29 do ranking mundial não conseguiu confirmar o favoritismo e caiu para o sérvio Hamad Medjedovid (67º) por 2 sets a 1, com as parciais de 3/6, 6/3 e 7/6 (7-1).

Não dá para deixar de citar que o resultado foi decepcionante. Esperava-se que João voltasse a atuar em bom nível e ganhasse a partida mesmo sabendo das dificuldades que teria pela frente diante de um tenista com ótimo retrospecto recente no saibro.

O carioca até teve um bom primeiro set, com tênis consistente, longe de ser brilhante é verdade, mas não teve o serviço ameaçado uma única vez, foi efetivo ao aproveitar o único break-point a favor no oitavo game para logo em seguida sacar e fechar a primeira parcial em 6/3.

O início do segundo set deu a impressão que João controlaria o adversário e não teria muitos problemas para confirmar a vitória. Ledo engano. O jovem tenista teve cinco break-points nos três primeiros games de saque do sérvio, mas não conseguiu aproveitá-los. O rival teve méritos em alguns deles.

O início da derrocada de Fonseca veio no oitavo game, quando Medjedovic teve seus primeiros break-points a favor, soube aproveitar um deles e sacou logo em seguida para empatar a partida.

O brasileiro, que já não era tão agressivo, mas vinha tendo atuação satisfatória, perdeu demais o ímpeto. Incomodou a sua postura bem atrás da linha de base. Nem no segundo saque do sérvio, ele conseguia colocar pressão.

A instabilidade foi a marca do terceiro set. João iniciou sacando e evitou a quebra. No game seguinte foi a vez de Medjedovic salvar break-point. Diante de um brasileiro irreconhecível, o sérvio quebrou duas vezes o saque brasileiro, abrindo 4 a 1. A primeira quebra foi devolvida no sexto game. No décimo game, João Fonseca conseguiu salvar match-point, cresceu demais no momento decisivo e igualou o número de quebra.

A partida acabou sendo definida no tie-break, onde novamente João voltou a cair de nível, com muitos erros não-forçados e apenas um ponto conquistado. Uma derrota merecida e decepcionante para quem esboçava uma vitória épica.

Fiquei bastante incomodado com o que li e ouvi momentos após revés de João. Parte do público que consome tênis e até da mídia esportiva atacou muito o brasileiro após a derrota.  A pressão que ele vem sofrendo é injusta. É absolutamente normal a oscilação para quem tem 19 anos e está apenas em sua segunda temporada completa como profissional.

Precisamos destacar que jovens talentos da nova geração estão passando ou já passaram por momentos irregulares. O tcheco Jakub Mensik, cabeça de chave 23, deu adeus na estreia do Masters de Roma com derrota para o australiano Alexei Popyrin. Da mesma geração que João, o norte-americano Learner Tien, hoje no Top-20, vinha com resultados ruins na gira de saibro até começar bem a trajetória em Roma com duas vitórias.

Sensação do momento, o espanhol Rafael Jodar sofreu no início de temporada em quadras rápidas e vem mostrando todo seu potencial no saibro. É bem provável que tenha alguma oscilação nos próximos torneios, inclusive na terra batida, fruto ainda da sua imaturidade. É um jogador ainda em formação com enorme potencial de assumir um lugar no Top 10 em curto espaço de tempo, mas é preciso um pouco de paciência.

Alerta para João Fonseca

Embora eu considere a pressão injusta sobre João Fonseca, não dá para achar que está tudo certo. É preciso fazer críticas construtivas e apontar o que pode e deve ser melhorado. A parte mental requer muitos cuidados do estafe do brasileiro, que tem sofrido apagões, sobretudo quando os jogos são definidos em três sets.

A questão física deve ser melhorada. João tem jogado pouco. Pegando como recorte as duas últimas semanas, ele entrou em quadra apenas duas vezes. Seria importantíssimo a participação dele no ATP 500 de Hamburgo daqui a 10 dias, último torneio antes de Roland Garros. Ele está inscrito na competição, mas há a possibilidade dele ficar fora por opção de sua equipe técnica. É preciso um bom ritmo de jogo para que chegue em maiores condições de fazer uma boa campanha no Grand Slam parisiense.

Muitas críticas feitas na atuação contra Hamad Medjedovic foram em relação a pouca agressividade do carioca, que apresentou baixo número de winners. João jamais pode perder a sua essência. Jamais pode deixar de ser agressivo. Foi com esse estilo que ele assombrou o mundo em sua primeira temporada como profissional, com os títulos dos ATP 250 de Buenos Aires e ATP 500 de Basel. Em 2026, fez um ótimo jogo contra o número 1 do mundo Jannik Sinner, mas perdeu em dois tie-breaks no Masters 1000 de Indian Wells.

Vamos torcer para que João volte a ter sequência de bons resultados, começando pela reta final da gira de saibro europeia. Potencial ele tem de sobra para seguir subindo no ranking da ATP e quem sabe obter o primeiro troféu de 2026.

Crédito da foto: Divulgação/ATP

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