Calendário enxuto de torneios de João Fonseca antes da gira americana é um acerto?

João Fonseca joga o Masters 1000 de Montreal

João Fonseca vai iniciar na próxima semana a sua participação no Masters 1000 de Montreal. Como será um dos cabeças de chave, o brasileiro entrará diretamente na segunda rodada.

O atual 27º colocado do ranking da ATP vai quebrar um hiato de um mês sem jogar uma partida profissional. A última aparição foi na terceira rodada de Wimbledon quando acabou sendo derrotado em sets diretos para o russo Román Safiullin em atuação abaixo do esperado.

Desde então, o estafe de João Fonseca optou por um calendário conservador, sem a participação em pequenos torneios de saibro pós-gira de grama e até mesmo nas primeiras competições da gira de quadra rápida na América do Norte.

Duas semanas após a queda em Wimbledon, o carioca disputou o UTS Rio, uma liga de tênis com regras bem diferentes em relação ao circuito da ATP, uma espécie de gincana, usando o português claro. Acabou não indo longe, porém, encheu os cofres com uma premiação de 119.600 dólares (R$ 610 mil), o seu quarto maior valor da temporada, juntando torneios oficiais. Economicamente, o evento foi muito positivo, mas pelo lado esportivo pouco agregou.

Na semana seguinte, João Fonseca esteve em São Paulo participando de uma palestra no evento Expert XP, um dos seus patrocinadores.

Nesta quinta-feira, o brasileiro foi um dos primeiros tenistas a chegar em Montreal para a disputa do Masters e teve o seu primeiro contato com o complexto canadense.

Em entrevista nesta semana ao podcast Tenista de Sofá, o treinador Guilherme Teixeira defendeu a estratégia do calendário mais enxuto, alegando que após a temporada em terras americanas, o pupilo terá uma carga emocional muito grande na Copa Davis e uma gira duríssima na Ásia e Europa. O objetivo é defender muitos pontos na reta final do ano, entre eles os 500 pontos do título em Basel. Para isso, segundo ele, foi necessário um descanso nas primeiras semanas do segundo semestre.

Respeito a decisão, mas não concordo. João, por exemplo, já poderia estar somando pontos em Washington. O brasileiro tem ido na contramão de rivais da mesma geração, entre eles o espanhol Rafael Jodar, que nesta semana está disputando o ATP 500 de Washington, tendo já derrubado os fortes Arthur Fils e Kei Nishikori, assim avançando às quartas de final.

O fato de não ter disputado competições nas últimas semanas pode prejudicá-lo no torneio canadense e até o prejudicar na sequência da temporada.

João já mostrou dificuldades no primeiro semestre em readquirir ritmo de jogo após longos períodos de inatividade.

O estafe do atleta precisa rever a posição em jogar poucos torneios ATP’s 250 e 500. No geral, em 2026, foram apenas 12 competições, quatro deles sendo ATP’S (Buenos Aires, Rio de Janeiro, Munique e Halle). Compreensível certa cautela neste início de carreira, mas é preciso uma flexibilização de vez em quando e aumentar pouco a pouco a carga de torneios.

Importante lembrar que João não disputou os dois primeiros torneios previstos em 2026 por conta de uma lesão lombar (ATP’s 250 de Brisbane e Adelaide). Na véspera da estreia no ATP 500 de Hamburgo, em maio, ele sentiu incômodo no punho direito e optou por não jogar, assim priorizando Roland Garros, que começaria na semana seguinte.

Mais recentemente, João alegou desconforto no ombro direito e anunciou a desistência no ATP 250 de Eastbourne, assim priorizando Wimbledon. Na estreia antes do penúltimo Grand Slam da temporada, ele enfrentaria o britânico Giles Hussey.

A princípio, João Fonseca não tem nenhuma grande limitação física para ficar de fora de tantos torneios. Que esteja em grande forma nos próximos desafios!

O calendário de João Fonseca até setembro

Masters 1000 de Montreal – 1 a 13 de agosto

Masters 1000 de Cincinnati – 13 a 23 de agosto

US Open – 22 de agosto a 13 de setembro

Copa Davis (Rio de Janeiro): Brasil x Suíça – 18 e 19 de setembro

Crédito da foto: Divulgação/UTS Rio

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