Onde João Fonseca precisa melhorar para ter evolução ainda mais rápida no ranking da ATP

João Fonseca vai mal contra Shelton e cai em Montreal

Em um ano e meio de temporada como profissional, João Fonseca tem resultados expressivos com apenas 19 anos. São raros os jovens que rompem a barreira do Top 30 e o carioca obteve a façanha com poucos meses de circuito, quando acabara de atingir a maioridade.

No entanto, João tem bola para crescer ainda mais na lista da ATP. Atual 26º colocado no ranking live, ele precisa evoluir em alguns aspectos do jogo se quiser ser ainda maior no circuito, passar a vencer com maior regularidade os tenistas do pelotão de elite e assim se credenciar como favorito a títulos de Masters 1000 e Grand Slam.

Na derrota para o norte-americano Ben Shelton nas oitavas de final do Masters 1000 de Montreal ficou provado que o saque do brasileiro ainda requer ajustes. Ele venceu apenas 58% dos pontos usando o primeiro serviço. Para se ter uma ideia, o oponente, que tem um dos melhores saques do circuito, registrou 78% de aproveitamento.

Estranhou a velocidade do primeiro saque de João, que estava abaixo da sua média. Diante de Shelton ficou em 179 km/h.

O baixo poder de saque acabou fazendo a diferença na derrota. Mas não foi só isso o problema.

João precisa ser mais consistente nos golpes. Durante o jogo alternou grandes jogadas, a maioria com o seu forehand, e erros não-forçados, principalmente nos três games em que foi quebrado. E nem de longe, Shelton praticou o seu melhor tênis.

O importante é que em entrevista à ESPN, Fonseca fez a autocrítica da atuação na eliminação, reconheceu que jogou “supermal” e que precisa treinar saque já de olho em seu próximo compromisso marcado para o fim de semana que está por vir: Masters 1000 de Cincinnati, também disputado em quadras rápidas. Como será um dos cabeças de chave, ele vai estrear diretamente na segunda rodada.

Respeito a decisão do estafe de João de nos primeiros sete meses de temporada ter feito um calendário com poucos torneios. O objetivo foi aprimorar a forma física do tenista, também pensando na sequência desgastante no fim de temporada. Mas entendo que ele deveria ter disputado mais torneios ATP 250 e 500 para pegar mais ritmo. Os longos períodos sem jogos oficiais acabam atrapalhando.

Inspiração para João Fonseca

Se reduzir altos e baixos, João tem tudo para dar mais um grande salto na curta carreira. Rafael Jodar deveria servir de inspiração. O espanhol tem um mês a menos em idade em relação ao brasileiro. Começou de vez a carreira profissional neste ano e vem tendo um desempenho fora da curva, com 33 vitórias e apenas 12 derrotas. Ele iniciou o ano na 165ª posição e no momento está subindo para o 13º lugar. É assustador o rápido crescimento do jovem, que potencializou ainda mais os golpes fortes e vem corrigindo aos poucos os defeitos. Nesta toada é bem capaz que entre no Top-10 antes mesmo do US Open, último Grand Slam da temporada.

Eu aposto que João Fonseca terá evolução mais rápida até o fim da temporada pegando mais ritmo de jogo. Creio que ingressará no Top-20 pela primeira vez durante o US Open.

Mesmo com os altos e baixos em Montreal, o brasileiro somou 100 pontos e quase igualou toda a campanha da gira americana de 2025, quando acumulou 110 pontos com eliminações na primeira rodada do Masters 1000 de Toronto, na terceira rodada do Masters 1000 de Cincinnati e segunda rodada do US Open. Ele já vai superar a campanha do ano passado por pular diretamente a primeira rodada do torneio disputado em Ohio.

Ou seja, é absurdo dizer que o tênis de João regrediu, mas dá para afirmar que a evolução não tem sido tão rápida como imaginávamos no fim do ano passado.

Crédito da foto: Priyan/sr28_sports

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